Fora esse episódio da Graciana, não tive mais novidades, passei a semana descansando dos pedais, evitei pedalar até hoje, deixei a Cannondale a semana inteira de molho, reguladinha e pronta para a Corrida do domingo (Vivo MTB Racing).
Hoje eu fui pedalar com a GTzinha, depois de um longo tempo sem dar umas voltinhas com ela.
Essa semana eu troquei os pneus dela, tirei os Semi Slicks Ritchey SpeedMax 1.9(são pneus quase lisos, com cravos laterais para poder andar em estradas de terra batida ou asfalto) e coloquei os pneus de cravo Maxxis Helter Skelter 2.35 (pneus largos para terra, com cravos grandes, pesados e não muito indicados para asfalto), coloquei novos discos de freio, mais furadinhos, que garantem uma freada melhor, pois ventilam mais e limpam melhor as pastilhas no caso de lama ou ambientes molhados.
Troquei tb a mola da Suspensão, pois como engordei muuuuuito nestes ultimos meses, a suspensão ficou mole demais, chegando a bater no final do curso várias vezes em rolês mais radicais. Coloquei um novo canote (thomsom elite) e selim Velo Plush, além de ter colocado a mesa (Peça que fixa o Guidão à Caixa de Direção) Aerotech por outra Tioga Cube para DH (DownHill, estilo de ciclismo onde vc só desce os morros, pulando e fazendo manobras mais radicais, portanto as peças são em geral mais robustas e pesadas que as normais.. )
Resultado, a GTzinha ficou beeem mais pesada, porém muito mais gostosa de se pedalar, aguentando qualquer brincadeira em escadarias ou barrancos mais radicais.. ela tá parecendo um tratorzinho (ou uma moto de trail) agora.. risos ..
Bom, agora vou dormir e me preparar espiritualmente prá Competição de amanhã... Vivo MTB Racing.. lá vou eu .. não vou prá ganhar, mas sim prá saber como está meu ritmo em relação aos outros .. depois de um ano sem pedalar direito ..
ok ok ... a Semana acabou e eu aqui em casa ... num sábado de temperatura amena ... cheio de eventos sociais e baladas....
Vamos lá às notícias da semana ...
- Cicloturista Graciana Francisconi
Você acredita em destino? ou que nada é por acaso?
Terça-feira, 25 de novembro, voltei mais cedo para casa, peguei a minha GTzinha coloquei no carro e fui em direção ao Tao do pedal com o objetivo de levá-la para fazer alguma manutenção básica.
No final da Rod. Raposo Tavares eu sempre tenho o costume de fazer um desvio e ir por dento em direção à Ponte da Cidade Jardim. Mas neste dia eu tive a vontade de ir reto até o final da Raposo Tavares e ir pelo Jóquei.
Parei na primeira fila do primeiro farol da Rod. Raposo Tavares e derepente me cruza uma senhora de bike com alforges ( aqueles suportes e malas para cicloviagem ) e algumas malas carregadas, aparentando vir de longe. A esta altura já eram 16:00 e eu, muito curioso por querer saber um pouco sobre a aparente viagem dela, resolví pará-la para conversar um pouco.
Desviei meu caminho, parei em frente a ela e puxei conversa. Conversa vai, conversa vém, ela (Graciana Francisconi, não perguntei a idade, mas me pareceu ter algo por volta dos 50 anos) me contou que é de Porto Alegre (RS), foi a Natal (RN) e estava voltando para Gravataí a tempo de passar o Natal e as festas de fim de ano com a filha Melissa (23 anos).
Perguntei onde ela iria dormir esta noite, já que o dia estava acabando, ela me disse que iria montar sua barraquinha na beira da BR 116. Acabei ficando com pena dela, e perguntei se ela não queria passar a noite em casa. Liguei para a minha mãe avisando que ela passaria a noite em casa e tal e, dado o ok por parte da minha mãe, trouxe ela para casa.
Chegando em casa, descarregamos as malas da bike dela, coloquei no carro e levei ela e a Bike para a loja "O Tao do pedal", pois já que eu ia fazer uma revisão na minha bike, não custava nada dar uma geralzinha na bike dela.
Na loja, deixei a minha bike de lado, e pedí a Ronaldo que fizesse uma revisão rápida na bike dela. O pessoal da loja (Christian, Plínio e Ronaldo) adorou a visita dela, uma senhora muito simpática, e acabaram fazendo uma revisão rápida de graça (já que ela não tinha muito tempo), deram a ela um selim novo (pois o dela estava quebrado), um jogo de roupas de ciclista (Bermuda e camiseta), e o Ronaldo ainda a ensinou a trocar pneu.
Corrí para casa de volta, pois tinha marcado uma reunião com o Hilton para conversarmos sobre o futuro da Hai-net. Com estes imprevistos, o trânsito e tal acabei chegando em casa por volta das 21:30, meia hora atrasado e o Hilton já tinha ido embora.
No caminho ela me contou muitas das suas histórias de vida, o que me fez ficar morrendo de inveja da coragem e jovialidade desta senhora. Coragem de largar tudo, todas as ambições e seguranças financeiras ou físicas, em prol de um ideal de vida. Ela estava viajando desde Abril e conheceu quase todos os estados do Brasil, sem qualquer encanação da vida cotidiana.
Foi assaltada em Itabuna, onde a deixaram com a bike, a Barraca e a roupa do corpo, e mesmo assim ela não desistiu de prosseguir viagem ou tentar alcançar seu objetivo, por mais difícil que este tenha se tornado, vivendo um dia atrás do outro, sem dinheiro ou perspectivas de ter comida, um lugar para dormir ou tomar um simples banho.
Chegando em casa, deixei meu quarto a disposição para ela dormir, e fui dormir no quarto da minha maninha. Indiquei onde ela poderia tomar banho e enquanto ela tomava banho, encomendei uma Pizza e arrumei a cozinha para que ela pudesse jantar.
Enquanto a pizza não chegava, e ela não saia do banho dela, fui tomar o meu banho no outro banheiro, arrumei as camas e a casa.
Assim que ela saiu do Banho, a convidei para comermos a Pizza e tomarmos um suco, pois como ciclista eu presumí que ela estava precisando de massa (Carboidratos) e de hidratação, e ela delirou com a refeição, o Banho, e mais tarde, com a noite de descanço. Acredito que na viagem toda ela não teve um tratamento (revisão da bike e dela), um descanço e uma refeição tão descente, apesar de não ser muito o que eu pude oferecer a ela.
Depois de batermos mais um papinho, fomos dormir, já que ela tinha a idéia de acordar as 04:00 para começar a pedalar novamente.
04:00, acordei, minha mãe tinha feito um café da manhã reforçado e separado algumas comidas prá ela, fomos tomar café da manhã, ela arrumou as coisas, guardou as novas comidas e nos colocamos a caminho da BR.
Eu fui de Corsa escoltando-a e mostrando o caminho até a BR 116 (Rod. Régis Bittencourt).
E assim acabou a minha convivência relâmpago com uma cicloturista soitária, onde tive a oportunidade (e a benção) de aprender muito com as conversas que tivemos, me sentí muito útil, e feliz por ver que ainda existem pessoas como ela, que deixam os problemas e as ambições da sociedade para tocar um projeto de vida por um ideal.
Neste atual momento ela deve estar chegando a Curitiba e eu aqui, em Sampa preso ao cotidiano e sonhando em um dia criar coragem para tentar alguns projetos parecidos com o dela.
Falando em cicloturismo, acho que daqui a umas 2 semanas chega o Daisuke Nakanishi, um ciclo-turista japonês que está dando a volta ao mundo e que passará por Sampa tb ... e tb ficará hospedado aqui em casa por um tempinho.